Os pesquisadores desenvolveram um novo método para medir e remover sulfatos da água, que contribuirá para corpos d’água mais limpos e para um tratamento mais eficiente de resíduos nucleares. A equipe de cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, e da Universidade de Xiamen, na China, criou uma molécula semelhante a uma célula para capturar íons sulfato que ocorrem naturalmente na água.
O professor Jack Clegg, da Escola de Química e Biociências Moleculares da Universidade de Queensland, explica que controlar a concentração de sulfatos na água é um desafio significativo para a saúde, a indústria e a gestão ambiental. “O íon sulfato é muito difundido e importante. Em baixas concentrações no corpo humano, os sulfatos desempenham diversas funções metabólicas, como eliminar toxinas e auxiliar na ação efetiva de medicamentos. Porém, no meio ambiente, altas concentrações de sulfatos podem contaminar a água potável e acelerar a corrosão de tubulações. A presença de sulfatos também cria problemas com a imobilização de resíduos radioativos. A capacidade de monitorar e remover completamente os sulfatos da água tem um enorme potencial em diversas áreas.”
Os cientistas estão desenvolvendo uma molécula que mede e captura sulfatos na água com alto grau de seletividade. A “armadilha molecular” pode ser obtida a baixo custo a partir de produtos químicos amplamente disponíveis.
O Dr. Xin Wu, da Universidade de Xiamen, diz que, além dos benefícios significativos de medir os níveis de sulfato de maneira fácil e barata, a capacidade da armadilha molecular de reter produtos químicos com carga negativa nas águas também é valiosa. “A capacidade de estabilizar uma substância química altamente carregada negativamente, como os sulfatos, em uma cavidade neutra, é uma característica notável da nossa molécula”, enfatiza o Dr. Wu.
“Isso imita a função das proteínas de ligação ao sulfato que ocorrem naturalmente. A tecnologia também pode ter aplicações na medicina, por exemplo, para transportar íons cloreto e bicarbonato através das membranas celulares para tratar doenças que envolvem transporte iônico prejudicado, como a fibrose cística. Este é apenas o começo – estamos entusiasmados em ver como essa ciência básica pode ser aplicada em todos os tipos de campos”, acrescentou Wu.