Novas normas ambientais para a indústria química na UE

Entre 15 de junho e 2 de julho, um grupo de trabalho, incluindo representantes dos estados membros da União Europeia (UE), associações industriais, organizações não governamentais e serviços da Comissão Europeia (CE), discutiu uma proposta de restrições mais rigorosas relativamente às emissões libertadas pela indústria química para o ar atmosférico. O grupo debateu e chegou a conclusões sobre o Documento de Referência das Melhores Técnicas Disponíveis (MTD) para sistemas de gestão e tratamento de gases residuais no setor químico.

Liderado pelo Gabinete Europeu Integrado de Prevenção e Controlo da Poluição (EIPPCB) do Centro Comum de Investigação da CE, o grupo acordou propostas de novas normas de emissão para 29 poluentes de importância fundamental para o sector químico. Os Estados-Membros terão de aprovar estas propostas antes da sua adopção formal pela CE nos próximos meses.

Após a sua publicação, o documento se tornará a nova referência para a indústria química em termos de proteção ambiental. As autoridades nacionais competentes em matéria de protecção do ambiente terão um prazo de 4 anos para actualizar as licenças das instalações químicas em funcionamento afectadas pelas alterações, que terão de ser alinhadas com as novas normas.

Isto significa que cerca de 5.000 fábricas de produtos químicos na Europa terão de rever e adaptar os seus processos e condições de funcionamento. Com este pacote de medidas, a CE dará mais um passo na concretização do ambicioso objectivo de poluição zero.

Além de novas normas para emissões de compostos orgânicos voláteis (COV), a proposta introduz também uma nova abordagem, apoiada por um sistema de gestão, para prevenir, reduzir e quantificar emissões difusas (por exemplo, fugas de equipamentos). Isto é considerado um avanço significativo, uma vez que as emissões fugitivas por vezes representam até 90% do total de emissões geradas pelas fábricas de produtos químicos.

A proposta também estabelece padrões de emissão específicos para a produção de polímeros como policloreto de vinila e polietileno. Além disso, são propostas a medida de monitorização e os programas de monitorização e acompanhamento das tendências e do desenvolvimento das reduções esperadas nas emissões. Todas estas propostas centram-se principalmente nos COV, nas partículas e em outros poluentes, como o amoníaco e os óxidos de azoto.

As atividades químicas, por exemplo a produção de compostos orgânicos, polímeros ou produtos farmacêuticos, são uma importante fonte de emissões de COV – cerca de 40 000 toneladas por ano. Isto representa cerca de 17,5% das emissões de COV provenientes de todas as atividades industriais abrangidas pela Diretiva Emissões Industriais. As emissões de COV são prejudiciais ao meio ambiente e podem ser perigosas para a saúde humana.

O novo documento de referência faz parte da série de documentos de referência para o setor químico adotados pela CE no âmbito da Diretiva Emissões Industriais – produção de produtos cloro-álcalis, sistemas de tratamento/gestão de águas residuais comuns e gases residuais no setor químico, produção de produtos químicos orgânicos em grandes volumes. Espera-se também que em breve comecem os trabalhos de um documento de referência sobre a produção em larga escala de produtos químicos inorgânicos, que completará a série.

O trabalho do grupo técnico apoiará a proposta de revisão da Diretiva Emissões Industriais. Foi realizada uma consulta pública cujos resultados estão atualmente a ser analisados ​​pela Comissão. O objetivo é atualizar as diretivas europeias sobre emissões industriais para garantir que a indústria aplique técnicas que criem uma economia europeia mais sustentável e um ambiente mais limpo, melhorando a saúde pública.

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